Tava passando no Treta, como de praxe, e vi essa matéria que ele viu no Balada Planet e por aí vai. Vou colar a matéria aqui e depois vou falar o que penso do assunto:

Depois de relatar o duro cotidiano dos agentes do BOPE no filme "Tropa de Elite", os diretores José Padilha e Marcos Prado pretendem levar para as telonas um filme que retrate a "realidade" nas festas raves do Brasil.

O filme ainda não tem roteiro definido, mas segundo os autores , pretende ser o mais fiel possível à realidade e irá retratar, usando as raves como pano de fundo, o drama de dois jovens da classe média que se envolvem com drogas.(algo de semelhante com "Meu nome não é Johnny").

O fato é que se for sensacionalista ou não, o filme vem abordar um assunto que inevitavelmente seria deixado de lado, tamanho o número de ocorrências nesse tipo de festa. Infelizmente as coisas sairam do controle antes que as a mira de cineastas pudessem enxergar-las.

A julgar pelo teor realista do filme "Tropa de Elite", o filme, que ainda não tem nome definido, poderá chocar muitas pessoas, mas por um outro lado, tudo que há de mais grave nas raves, como consumo e tráfico de drogas, além de casos isolados de mortes, já foram noticiadas exaustivamente nos jornais. Ao contrário, a história do Capitão Nascimento e do BOPE, era praticamente oculta para grande parte dos brasileiros.E chocou!

Agora vamos esperar e ver se o filme não cairá no caminho mais tentador e mostrará que, de fato, as festas não são compostas apenas de pessoas deliquentes, irresponsáveis e drogadas, mas sim de muita gente de bem, que gosta de música eletrônica.

Bom, esse último parágrafo da matéria da BP deixa claro a opinião de todo mundo que vive de música eletrônica, no sentido figurado, ou como eu e meus colegas, no sentido próprio da palavra. O que pode vir por ai é uma faca de dois gumes. Seria legal se eles mostrassem que, realmente, o uso de drogas está tomando um rumo desenfreado. Isso pode mostrar para alguns pais o que ocorre e poupar muitas familias de um sofrimento posterior. Esse é o lado bom.

O lado ruim vai surgir quando colocarem todas as laranjas num mesmo balaio e ai a coisa fica feia. Se eles resolverem generalizar e tratar todos os adeptos da música eletrônica como drogados ou candidatos ao cargo, omitirem que existem produtores, artistas e público com um grau de consciência e que querem ver a cena livre de porcarias, esse filme será um erro.

Imagino meu caso, pois trabalho em festas puramente eletrônicas, é meu ganha-pão, e levo minha irmã e minha namorada junto. Agora chego em casa e meus pais tão assistindo um bando de junkies se destruíndo em festas. Pronto, virei traficante, minha namorada e irmã viraram usuárias e a boate em que trabalho virou boca de fumo.

Quando souber mais algo sobre a produção eu aviso, por enquanto sonho com uma cena mais consciente.